CIÊNCIA, ESCUTA E CUIDADO INDIVIDUALIZADO
Recursos complementares integrados a um plano de cuidado responsável
O cuidado integrativo considera a pessoa em seu contexto, incluindo suas necessidades físicas, funcionais, emocionais, familiares e sociais.
No SARE, os recursos integrativos são utilizados de forma complementar, após avaliação profissional e definição de objetivos individualizados. Eles não substituem diagnóstico, acompanhamento médico, medicamentos prescritos ou tratamentos essenciais.
Esta página apresenta informações sobre fotobiomodulação, auriculoterapia neurofisiológica, aromaterapia clínica e outras estratégias que podem compor o acompanhamento realizado pelo SARE.
Nenhum recurso é indicado automaticamente. A escolha depende da avaliação, da condição clínica, da idade, dos objetivos terapêuticos, das contraindicações e dos critérios de segurança.
O QUE É
Uma abordagem centrada na pessoa
Cuidado integrativo não significa utilizar muitos recursos ao mesmo tempo. Significa compreender as necessidades da pessoa de forma ampla e escolher estratégias compatíveis com sua realidade.
O planejamento pode integrar avaliação fisioterapêutica, educação em saúde, orientações para o cotidiano, recursos tecnológicos e práticas complementares.
O objetivo é construir um plano coerente, seguro e acompanhado ao longo do tempo.
O QUE NÃO É
Não substitui tratamentos necessários
O cuidado integrativo não deve:
substituir avaliação médica;
interromper medicamentos prescritos;
adiar exames ou atendimento de urgência;
prometer cura ou resultados garantidos;
aplicar protocolos iguais para todas as pessoas;
utilizar recursos sem avaliação e indicação;
desconsiderar outros profissionais da rede de cuidado.
Quando a necessidade estiver fora do escopo do SARE, será realizado encaminhamento responsável para outro profissional ou serviço.
PARA QUEM É
Famílias, adultos e profissionais interessados em cuidado complementar
Esta página foi preparada para pessoas que desejam compreender como recursos integrativos podem ser utilizados com responsabilidade dentro de um acompanhamento profissional.
Os conteúdos também apoiam famílias que receberam indicação de algum recurso e desejam conhecer seus objetivos, limites e cuidados de segurança.
O QUE VOCÊ ENCONTRA
Informação para tomar decisões mais seguras
Nesta página você encontrará conteúdos sobre:
avaliação antes da escolha dos recursos;
fotobiomodulação;
fotobiomodulação transcraniana;
auriculoterapia neurofisiológica;
aromaterapia clínica;
educação em saúde e autocuidado;
acompanhamento e reavaliação;
contraindicações e precauções;
integração com outros tratamentos;
compromisso ético e segurança.
A proposta assistencial do SARE prevê avaliação integral, plano de cuidado compartilhado, intervenção, monitoramento, reavaliação e encaminhamento quando necessário.
CUIDADO COM CRITÉRIO E RESPONSABILIDADE
Princípios que orientam a utilização dos recursos integrativos
No SARE, os recursos complementares não são escolhidos apenas pelo nome da condição ou por um protocolo padronizado.
Cada decisão considera a avaliação, os objetivos do acompanhamento, as condições clínicas, os tratamentos já realizados e a segurança da pessoa atendida.
O modelo assistencial do SARE prevê avaliação integral, plano compartilhado, intervenção, acompanhamento dos resultados, reavaliação e encaminhamento quando necessário.
AVALIAÇÃO
Compreender antes de intervir
O atendimento começa pela escuta, pelo histórico de saúde e pela avaliação fisioterapêutica.
Antes de indicar um recurso, são considerados:
sintomas e necessidades atuais;
diagnóstico e acompanhamentos existentes;
medicamentos utilizados;
alergias e sensibilidades;
idade e fase de desenvolvimento;
limitações funcionais;
objetivos da pessoa ou da família;
possíveis contraindicações e precauções.
A presença de um recurso no SARE não significa que ele será indicado para todos os atendimentos.
INDIVIDUALIZAÇÃO
Cada plano precisa fazer sentido para aquela pessoa
A mesma condição pode se apresentar de maneiras diferentes e exigir objetivos distintos.
Por isso, o plano pode variar quanto a:
recurso escolhido;
forma de aplicação;
região tratada;
frequência das sessões;
duração do acompanhamento;
orientações para o cotidiano;
associação com outras estratégias;
necessidade de avaliação por outros profissionais.
O cuidado individualizado evita a aplicação automática de protocolos e permite ajustar o atendimento conforme a resposta observada.
SEGURANÇA
Benefícios possíveis não eliminam riscos e limites
Antes de utilizar qualquer recurso, o profissional deve verificar as condições de segurança, explicar sua finalidade e orientar sobre possíveis desconfortos, precauções e limitações.
O atendimento deve respeitar:
contraindicações absolutas e relativas;
cuidados relacionados à idade;
condições clínicas associadas;
uso correto dos equipamentos e produtos;
higienização e proteção adequadas;
registro das condutas realizadas;
necessidade de suspensão ou encaminhamento;
consentimento da pessoa ou dos responsáveis.
Diante de sinais de agravamento ou de uma condição fora do escopo do atendimento, o recurso integrativo não deve atrasar a busca por assistência médica.
ACOMPANHAMENTO E REAVALIAÇÃO
Observar resultados e rever decisões
A resposta ao acompanhamento deve ser observada ao longo do tempo.
Nas reavaliações, podem ser considerados:
mudanças nos sintomas;
evolução funcional;
percepção da pessoa ou da família;
tolerância aos recursos utilizados;
alcance dos objetivos definidos;
necessidade de ajustar o plano;
continuidade, alta ou encaminhamento.
Um recurso pode ser mantido, modificado ou suspenso conforme a evolução e os critérios de segurança.
A PESSOA PARTICIPA DAS DECISÕES
Antes do início do acompanhamento, devem ser apresentados de forma clara:
o objetivo do recurso;
como ele será utilizado;
quais resultados podem ser razoavelmente esperados;
quais são seus limites;
quais cuidados precisam ser observados;
quais alternativas podem ser consideradas;
quando será realizada a reavaliação.
A pessoa atendida ou seus responsáveis podem esclarecer dúvidas, aceitar ou recusar uma conduta e participar da definição das prioridades do plano.
TRANSPARÊNCIA E RESPEITO ÀS EVIDÊNCIAS
O SARE compromete-se a:
utilizar recursos dentro da habilitação profissional;
informar quando as evidências científicas forem limitadas;
não apresentar práticas complementares como cura;
não recomendar a interrupção de tratamentos prescritos;
registrar as condutas e acompanhar os resultados;
encaminhar quando houver necessidade de outro profissional;
preservar a autonomia, a privacidade e a segurança da pessoa atendida.
O cuidado integrativo responsável aproxima diferentes recursos sem confundir suas indicações, seus limites ou os campos de atuação profissional.
TECNOLOGIA APLICADA COM FINALIDADE FISIOTERAPÊUTICA
Fotobiomodulação: luz como recurso complementar de cuidado
A fotobiomodulação utiliza luz de baixa intensidade, emitida por equipamentos de laser ou LED, para produzir respostas biológicas nos tecidos sem provocar corte ou ablação. A luz absorvida por estruturas celulares pode modular processos bioquímicos e vias de sinalização.
No SARE, a fotobiomodulação pode integrar o plano fisioterapêutico quando houver indicação compatível com a avaliação, os objetivos definidos e as condições de segurança.
Fotobiomodulação não é uma aplicação padronizada para todos. O resultado depende da indicação clínica, dos parâmetros utilizados, da resposta individual e da integração com os demais cuidados.
O QUE É
Aplicação terapêutica de luz
A fotobiomodulação utiliza comprimentos de onda específicos, principalmente nas faixas do vermelho e do infravermelho próximo, por meio de laser ou LED.
A energia luminosa é aplicada sobre uma região previamente avaliada, de forma não invasiva e com parâmetros definidos pelo profissional.
Ela é diferente dos lasers cirúrgicos ou ablativos, utilizados para cortar, remover ou produzir destruição térmica do tecido.
COMO É PLANEJADA
Parâmetros definidos para cada objetivo
O planejamento da aplicação pode considerar:
comprimento de onda;
potência do equipamento;
energia administrada;
irradiância;
tempo de aplicação;
tamanho da área tratada;
profundidade do tecido-alvo;
número e frequência das sessões;
forma contínua ou pulsada;
resposta observada nas reavaliações.
A escolha dos parâmetros é importante porque doses e técnicas diferentes podem produzir respostas distintas. A literatura científica ainda apresenta heterogeneidade entre protocolos, tornando inadequado copiar uma dosagem sem considerar a indicação, o equipamento e as características da pessoa atendida.
OBJETIVOS POSSÍVEIS
Um recurso complementar ao plano fisioterapêutico
Conforme a condição avaliada e as evidências disponíveis para cada indicação, a fotobiomodulação pode ser considerada como recurso complementar em objetivos relacionados a:
modulação da dor;
modulação de processos inflamatórios;
reparação e recuperação tecidual;
cicatrização;
conforto e funcionalidade;
recuperação após determinadas lesões;
apoio a outros recursos fisioterapêuticos.
Esses efeitos não ocorrem da mesma forma em todas as condições clínicas. Algumas indicações possuem evidências mais consistentes, enquanto outras ainda estão em investigação.
SEGURANÇA E MONITORAMENTO
Aplicar, registrar e reavaliar
Antes da aplicação, são verificadas a condição clínica, a região a ser tratada, os medicamentos e tratamentos em uso, as precauções relacionadas ao equipamento e a necessidade de encaminhamento.
Durante o atendimento, o profissional deve:
utilizar o equipamento de acordo com sua finalidade;
seguir os protocolos de segurança;
proteger os olhos quando indicado;
registrar os parâmetros utilizados;
observar a tolerância da pessoa;
acompanhar a resposta clínica;
ajustar ou suspender a aplicação quando necessário.
O COFFITO autoriza o fisioterapeuta a utilizar recursos de fototerapia e laser com finalidade fisioterapêutica, desde que sejam observados os protocolos de segurança.
O QUE ACONTECE DURANTE O ATENDIMENTO
Após a avaliação e a explicação do procedimento:
a região de aplicação é definida;
a pele e as condições locais são observadas;
os parâmetros são configurados;
o equipamento é posicionado conforme a técnica escolhida;
a aplicação é realizada pelo tempo planejado;
a resposta e qualquer sensação apresentada são registradas;
são fornecidas orientações para o período após o atendimento.
O tempo da aplicação e o número de sessões variam conforme o objetivo, a extensão da área, o equipamento utilizado e a resposta observada.
MAIS ENERGIA NÃO SIGNIFICA MAIOR BENEFÍCIO
A fotobiomodulação apresenta resposta dependente da dose. Parâmetros insuficientes podem não produzir o efeito esperado, enquanto doses inadequadas ou excessivas também podem reduzir a resposta desejada.
Por isso, não é seguro escolher a potência ou prolongar o tempo de aplicação com a ideia de tornar o tratamento “mais forte”. A dosimetria deve ser calculada e registrada pelo profissional.
UM RECURSO NÃO SUBSTITUI TODO O PLANO DE CUIDADO
A fotobiomodulação não deve ser apresentada como:
cura garantida;
tratamento único para todas as condições;
substituição de diagnóstico ou investigação clínica;
motivo para suspender medicamentos prescritos;
alternativa ao atendimento de urgência;
procedimento com resultado idêntico para todas as pessoas;
aplicação doméstica sem orientação e parâmetros adequados.
Quando indicada, ela compõe um plano que pode incluir educação em saúde, orientações para o cotidiano, exercícios, acompanhamento funcional, outros recursos terapêuticos e articulação com diferentes profissionais.
FOTOBIOMODULAÇÃO COM CIÊNCIA E RESPONSABILIDADE
No SARE, cada aplicação deve estar vinculada a:
avaliação individualizada;
objetivo fisioterapêutico definido;
escolha fundamentada dos parâmetros;
consentimento e esclarecimento;
protocolos de segurança;
registro da dosimetria;
monitoramento da resposta;
reavaliação dos resultados;
encaminhamento quando necessário.
A tecnologia amplia as possibilidades de cuidado, mas não substitui a escuta, o raciocínio clínico e o acompanhamento responsável.
NEUROMODULAÇÃO NÃO INVASIVA EM ESTUDO
Fotobiomodulação transcraniana: possibilidades, limites e responsabilidade
A fotobiomodulação transcraniana, também chamada de tPBM, utiliza luz vermelha ou infravermelha próxima direcionada à região do couro cabeludo, com o objetivo de produzir respostas fotobiológicas em estruturas do sistema nervoso.
É uma modalidade não invasiva que vem sendo investigada em diferentes áreas, como cognição, humor, sono e condições neurológicas. Entretanto, os protocolos ainda variam consideravelmente e muitas aplicações permanecem em fase de pesquisa.
A fotobiomodulação transcraniana não deve ser apresentada como tratamento estabelecido para todas as condições neurológicas ou do neurodesenvolvimento. Sua utilização exige avaliação, critérios de segurança, consentimento esclarecido e acompanhamento dos resultados.
O QUE É
Aplicação de luz na região craniana
A luz é administrada por meio de equipamentos específicos, como aplicadores, capacetes, toucas ou dispositivos posicionados sobre determinadas regiões da cabeça.
O procedimento não utiliza corrente elétrica nem campo magnético. Trata-se de uma modalidade de fotobiomodulação em que os parâmetros luminosos e a região de aplicação são definidos conforme o objetivo proposto.
A quantidade de luz que efetivamente alcança os tecidos depende de fatores como comprimento de onda, potência, área do dispositivo, tempo de aplicação, características do couro cabeludo e posicionamento do equipamento.
O QUE ESTÁ SENDO PESQUISADO
Resultados iniciais ainda precisam de confirmação
Ensaios clínicos em adultos têm investigado possíveis efeitos sobre cognição, sintomas depressivos, sono e marcadores relacionados à neuroplasticidade.
Alguns estudos apresentaram resultados favoráveis, mas geralmente envolveram amostras pequenas, protocolos específicos e períodos limitados de acompanhamento. Esses achados ainda não permitem afirmar que a modalidade seja eficaz para todas as pessoas ou condições.
Resultado promissor em um estudo não equivale a eficácia clínica definitivamente comprovada.
COMO É PLANEJADA
Parâmetros precisam ser definidos e registrados
O planejamento da aplicação deve considerar:
comprimento de onda;
potência e irradiância;
energia total administrada;
área e região estimuladas;
modo contínuo ou pulsado;
tempo de aplicação;
frequência das sessões;
número total de sessões;
equipamento utilizado;
tolerância e resposta observadas.
Protocolos diferentes não podem ser considerados equivalentes. Alterações na dose, no posicionamento ou no equipamento podem modificar a quantidade de energia administrada e a resposta produzida.
SEGURANÇA E MONITORAMENTO
Tolerabilidade inicial não elimina a necessidade de cautela
Um ensaio clínico randomizado com adultos encontrou boa tolerabilidade em aplicações de diferentes doses, sem aumento estatisticamente significativo de eventos adversos no curto período estudado. Entretanto, o número de participantes foi pequeno e os resultados não devem ser generalizados automaticamente para crianças, gestantes, pessoas com condições neurológicas complexas ou tratamentos prolongados.
Antes de considerar a aplicação, devem ser avaliados:
histórico clínico e neurológico;
diagnóstico e tratamentos em andamento;
medicamentos utilizados;
presença de dispositivos, implantes ou cirurgias anteriores;
condições da pele e do couro cabeludo;
capacidade de comunicar desconfortos;
necessidade de avaliação ou autorização médica;
instruções de segurança do equipamento.
UTILIZAÇÃO EM CRIANÇAS EXIGE CAUTELA AMPLIADA
A fotobiomodulação transcraniana vem sendo estudada em crianças com condições do neurodesenvolvimento, incluindo pesquisas relacionadas ao transtorno do espectro autista. Contudo, parte dos estudos ainda está em recrutamento, em andamento ou possui resultados preliminares e amostras reduzidas.
Por esse motivo, não deve ser apresentada como:
tratamento comprovado para autismo ou TDAH;
método capaz de “normalizar” o desenvolvimento;
substituição de terapias consolidadas;
recurso com resultado garantido;
indicação automática para toda criança com diagnóstico;
aplicação doméstica sem avaliação e acompanhamento.
A existência de estudos clínicos não significa que a intervenção já seja considerada tratamento-padrão para crianças.
DECISÃO CLÍNICA INDIVIDUALIZADA
Quando considerada dentro do campo de atuação profissional, a fotobiomodulação transcraniana deve estar vinculada a:
avaliação fisioterapêutica e funcional;
definição clara do objetivo complementar;
análise dos tratamentos já realizados;
comunicação com a equipe multiprofissional;
explicação transparente sobre o estágio das evidências;
consentimento dos responsáveis;
assentimento da criança, quando possível;
registro completo dos parâmetros;
avaliação inicial por instrumentos adequados;
reavaliação periódica com critérios objetivos;
suspensão diante de intolerância, ausência de indicação ou sinais de agravamento.
RESULTADOS PRECISAM SER OBSERVÁVEIS
Antes de iniciar, devem ser definidos objetivos relacionados à vida cotidiana, como:
participação nas atividades;
qualidade do sono;
tolerância às tarefas;
funcionalidade;
mobilidade;
comunicação de necessidades;
percepção da família sobre mudanças relevantes.
As avaliações devem utilizar critérios consistentes antes, durante e após o período de acompanhamento.
Mudanças percebidas apenas de forma subjetiva devem ser analisadas com cautela, considerando também a evolução natural, outros tratamentos, mudanças ambientais e expectativas da família.
O QUE A FOTOBIOMODULAÇÃO TRANSCRANIANA NÃO SUBSTITUI
A modalidade não substitui:
diagnóstico médico ou multiprofissional;
acompanhamento neurológico ou psiquiátrico;
fisioterapia convencional quando indicada;
terapia ocupacional;
fonoaudiologia;
psicologia ou intervenções comportamentais;
acompanhamento pedagógico;
medicamentos prescritos;
atendimento de urgência.
Também não deve ser utilizada como justificativa para interromper tratamentos que estejam contribuindo para a saúde e a participação da pessoa.
TECNOLOGIA COM PRUDÊNCIA CIENTÍFICA
No SARE, a fotobiomodulação transcraniana será apresentada como recurso complementar de aplicação criteriosa, considerando:
o estágio atual das evidências;
a condição e a idade da pessoa;
os limites profissionais;
a segurança do equipamento;
a documentação dos parâmetros;
a integração com a equipe de cuidado;
a ausência de promessas terapêuticas;
a reavaliação objetiva dos resultados.
Inovação responsável significa reconhecer tanto as possibilidades quanto os limites do conhecimento disponível.
Auriculoterapia neurofisiológica: cuidado individualizado por meio do pavilhão auricular
A auriculoterapia utiliza a estimulação de pontos ou regiões específicas da orelha como recurso complementar de cuidado. Os estímulos podem ser realizados por diferentes métodos, como sementes, esferas e agulhas, conforme a formação profissional, a avaliação individual e os critérios de segurança.
No SARE, a abordagem neurofisiológica considera a anatomia, a inervação sensorial da orelha, os sintomas apresentados, a funcionalidade e os objetivos definidos para cada pessoa.
O COFFITO reconhece a prática da auriculoterapia pelo fisioterapeuta que comprove formação e domínio da técnica.
A auriculoterapia é um recurso complementar. Não substitui diagnóstico, medicamentos prescritos, psicoterapia, acompanhamento médico ou outros tratamentos necessários.
O QUE É
Estimulação de regiões do pavilhão auricular
A orelha externa possui ampla inervação sensorial, com participação de ramos de nervos cranianos e cervicais.
A estimulação auricular pode produzir sinais sensoriais que alcançam o sistema nervoso central. Entretanto, os mecanismos envolvidos são complexos, variam conforme o local e o tipo de estímulo e ainda não estão completamente esclarecidos.
A auriculoterapia manual, com sementes ou esferas, não deve ser confundida com a estimulação elétrica transcutânea do nervo vago, que utiliza equipamentos e parâmetros próprios.
COMO É PLANEJADA
Os pontos são escolhidos após avaliação
O planejamento pode considerar:
queixa principal e sintomas associados;
histórico de saúde;
impacto sobre sono, dor, tensão e funcionalidade;
medicamentos e tratamentos em andamento;
estado da pele da orelha;
sensibilidade a adesivos ou metais;
idade e condições clínicas;
objetivos definidos com a pessoa;
resposta apresentada em atendimentos anteriores.
Não é necessário utilizar grande quantidade de pontos. A seleção deve ser coerente com os objetivos e reavaliada durante o acompanhamento.
FORMAS DE ESTÍMULO
Técnicas diferentes exigem cuidados diferentes
Conforme a avaliação e a formação profissional, podem ser utilizadas:
sementes fixadas com adesivo;
esferas metálicas ou plásticas;
pressão manual;
agulhas auriculares;
agulhas semipermanentes;
laser aplicado em pontos auriculares;
outras técnicas regulamentadas e compatíveis com a habilitação profissional.
O Ministério da Saúde cita agulhas, esferas e sementes entre as possibilidades utilizadas na auriculoterapia.
Técnicas com agulhas exigem procedimentos específicos de higiene, materiais apropriados e descarte seguro.
OBJETIVOS COMPLEMENTARES
Apoiar o plano de cuidado, sem prometer cura
Conforme a avaliação e as evidências disponíveis para cada condição, a auriculoterapia pode ser considerada como estratégia complementar em objetivos relacionados a:
percepção e manejo da dor;
tensão corporal;
estresse e ansiedade;
qualidade do sono;
relaxamento;
conforto durante o acompanhamento;
apoio ao autocuidado;
bem-estar e funcionalidade.
Revisões científicas encontraram resultados favoráveis para alguns desfechos relacionados à ansiedade e ao sono, mas também identificaram heterogeneidade entre os estudos e risco de viés. Portanto, os resultados não podem ser generalizados para todas as pessoas ou condições.
O QUE ACONTECE DURANTE A SESSÃO
Após a avaliação e a explicação da proposta:
as orelhas são observadas;
a pele é examinada quanto a feridas, irritação ou sensibilidade;
os pontos ou regiões são selecionados;
o material e a técnica são definidos;
o estímulo é aplicado;
a tolerância e as sensações apresentadas são observadas;
são fornecidas orientações para os cuidados após a sessão;
a resposta será analisada na reavaliação.
Quando forem utilizadas sementes ou esferas, a pessoa poderá receber orientação sobre como realizar uma pressão leve e por quanto tempo manter o material.
A estimulação não deve provocar dor intensa. Ardência, irritação persistente, sangramento, mal-estar ou piora dos sintomas devem ser comunicados ao profissional.
EVIDÊNCIAS VARIAM CONFORME A CONDIÇÃO E A TÉCNICA
A palavra “auriculoterapia” reúne métodos diferentes, como acupressão, agulhamento, laser e estimulação elétrica. Estudos com técnicas distintas não devem ser interpretados como se avaliassem exatamente a mesma intervenção.
Algumas revisões apontam possíveis benefícios complementares para dor, ansiedade e alterações do sono. Entretanto, parte das pesquisas apresenta amostras pequenas, diferenças importantes nos protocolos, controles inadequados ou risco de viés.
Por isso, a auriculoterapia deve ser apresentada como:
recurso complementar;
possibilidade individualizada;
intervenção acompanhada por objetivos;
prática sujeita a reavaliação;
recurso que pode ou não produzir a resposta esperada.
Resultado positivo em uma pesquisa não significa eficácia comprovada para todas as doenças ou para qualquer forma de aplicação.
CUIDADOS E POSSÍVEIS REAÇÕES
A auriculoterapia costuma ser bem tolerada, mas não é totalmente isenta de riscos.
Podem ocorrer:
sensibilidade ou dor local;
vermelhidão;
irritação causada pelo adesivo;
coceira;
pequeno sangramento quando são utilizadas agulhas;
desconforto;
tontura ou náusea;
inflamação ou infecção local, especialmente quando os cuidados de higiene não são adequados.
Uma revisão sobre eventos adversos encontrou principalmente reações locais leves e transitórias, mas reforçou a necessidade de técnica padronizada, higiene e acompanhamento profissional.
RETIRE O MATERIAL E COMUNIQUE O PROFISSIONAL QUANDO HOUVER
dor forte ou progressiva;
vermelhidão intensa;
inchaço;
ferida ou secreção;
sangramento persistente;
reação ao adesivo;
tontura ou mal-estar importante;
material solto próximo ao canal auditivo;
piora relevante dos sintomas.
Não reaplique sementes, esferas ou agulhas por conta própria.
Crianças, gestantes, pessoas imunossuprimidas, pacientes com alterações de coagulação, alergias, doenças dermatológicas ou uso de anticoagulantes necessitam de avaliação individual e cuidados adicionais.
UM RECURSO COMPLEMENTAR NÃO SUBSTITUI O TRATAMENTO PRINCIPAL
A auriculoterapia não deve ser apresentada como:
cura de doenças;
tratamento isolado de transtornos de ansiedade ou depressão;
substituição de medicamentos;
substituição de psicoterapia;
alternativa ao atendimento médico;
método para interromper tratamentos já prescritos;
procedimento com resultados garantidos;
prática doméstica sem avaliação e orientação adequadas.
Em situações de dor intensa, falta de ar, alteração neurológica, risco emocional ou piora importante do estado geral, a prioridade é a avaliação médica ou o atendimento de urgência.
AURICULOTERAPIA COM AVALIAÇÃO E ACOMPANHAMENTO
No SARE, a auriculoterapia neurofisiológica deve estar vinculada a:
avaliação individualizada;
objetivos claros;
escolha criteriosa da técnica;
formação profissional compatível;
explicação sobre benefícios possíveis e limites;
higiene e segurança;
registro dos pontos e materiais utilizados;
observação de possíveis reações;
reavaliação dos resultados;
integração com os demais tratamentos;
encaminhamento quando necessário.
Cuidado integrativo responsável não depende apenas da aplicação de um ponto, mas da compreensão da pessoa, de suas necessidades e da resposta apresentada ao longo do acompanhamento.
ÓLEOS ESSENCIAIS UTILIZADOS COM CRITÉRIO PROFISSIONAL
Aromaterapia clínica: cuidado complementar, individualizado e seguro
A aromaterapia utiliza óleos essenciais, que são substâncias aromáticas concentradas extraídas de diferentes partes das plantas. No Brasil, ela integra as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde e pode ser associada a outros cuidados por profissionais de diferentes áreas da saúde.
No SARE, o termo aromaterapia clínica representa a utilização profissional e planejada dos óleos essenciais, após avaliação das necessidades, do histórico de saúde, dos medicamentos utilizados e das condições de segurança.
Natural não significa isento de riscos. Óleos essenciais são concentrados e podem provocar irritação, alergia, desconforto respiratório ou intoxicação quando utilizados inadequadamente.
O QUE É
Uso intencional de óleos essenciais
A aromaterapia utiliza óleos essenciais verdadeiros, e não essências sintéticas ou fragrâncias destinadas apenas à perfumação.
Esses produtos podem ser utilizados principalmente por meio da inalação ou da aplicação tópica devidamente diluída, conforme o objetivo, o produto utilizado e as características da pessoa atendida.
No SARE, a aromaterapia é considerada um recurso complementar dentro de um plano de cuidado mais amplo.
COMO É PLANEJADA
A escolha depende de uma avaliação
Antes de utilizar um óleo essencial, podem ser considerados:
objetivo do acompanhamento;
idade;
gestação ou amamentação;
histórico de alergias;
sensibilidade a cheiros;
asma ou outras condições respiratórias;
doenças neurológicas ou clínicas;
medicamentos utilizados;
estado da pele;
experiências anteriores;
capacidade de comunicar desconfortos;
presença de crianças ou outras pessoas no ambiente.
A seleção do óleo, a quantidade, a diluição, a forma de uso e o tempo de exposição devem ser definidos individualmente.
FORMAS DE UTILIZAÇÃO
Vias diferentes exigem cuidados diferentes
Conforme a avaliação e o produto escolhido, a aromaterapia pode envolver:
inalação individual por tempo controlado;
uso ambiental planejado;
aplicação tópica diluída;
roll-on formulado para uso individual;
associação com estratégias de respiração e relaxamento;
utilização em experiências educativas de autocuidado.
O contato prolongado com a pele pode causar irritação ou reações alérgicas, especialmente quando o óleo é utilizado puro, em concentração inadequada ou repetidamente.
No SARE, a via oral ou ingestão de óleos essenciais não será utilizada como prática de atendimento.
OBJETIVOS COMPLEMENTARES
Apoiar bem-estar e autocuidado
Conforme a avaliação e as evidências disponíveis, a aromaterapia pode ser considerada como recurso complementar em objetivos relacionados a:
relaxamento;
percepção de estresse;
preparação para o descanso;
conforto durante determinados atendimentos;
organização de práticas de autocuidado;
experiência de bem-estar;
apoio a técnicas respiratórias e de regulação.
Os resultados variam conforme o óleo, a forma de utilização, o contexto e as características individuais. A aromaterapia não deve ser apresentada como tratamento comprovado para todas as doenças ou sintomas.
ÓLEOS ESSENCIAIS NÃO DEVEM SER APLICADOS PUROS AUTOMATICAMENTE
Para uso tópico, o óleo essencial costuma ser incorporado a uma base apropriada, como óleo vegetal, creme ou outro veículo compatível.
A diluição deve considerar:
óleo essencial escolhido;
finalidade;
região de aplicação;
extensão da área;
idade;
integridade da pele;
frequência de utilização;
histórico de alergias e sensibilidades;
gestação ou amamentação;
condições clínicas individuais.
Maior concentração não significa maior benefício. O uso inadequado pode aumentar o risco de irritação, dermatite e sensibilização. A dermatite foi o evento adverso mais frequente identificado em uma revisão de relatos relacionados à aromaterapia.
INALAÇÃO NÃO SIGNIFICA EXPOSIÇÃO CONTÍNUA
Difusores, inaladores pessoais e outras formas aromáticas não devem permanecer funcionando de maneira indiscriminada ou em ambientes fechados sem ventilação.
Durante o uso, é necessário observar:
intensidade do aroma;
ventilação do ambiente;
tempo de exposição;
número de pessoas presentes;
presença de crianças;
pessoas com asma, alergias ou sensibilidade a odores;
aparecimento de tosse, dor de cabeça, náusea, irritação ou falta de ar.
Se houver desconforto, interrompa a exposição, ventile o ambiente e reavalie a utilização.
Alguns óleos podem provocar tosse, dor de cabeça, irritação ou reações de sensibilidade, mesmo quando utilizados por inalação.
CRIANÇAS EXIGEM PRECAUÇÕES AMPLIADAS
A idade da criança, seu peso, seu desenvolvimento, suas condições respiratórias e sua capacidade de comunicar desconfortos devem ser considerados antes de qualquer utilização.
Em bebês e crianças:
não utilize o produto sem orientação adequada;
não aplique óleo essencial puro sobre a pele;
evite contato com olhos, boca, nariz e mãos;
não deixe frascos ou inaladores ao alcance;
não permita manipulação sem supervisão;
interrompa o uso diante de tosse, chiado, irritação, sonolência ou alteração do comportamento;
informe ao profissional os medicamentos e diagnósticos existentes.
Óleos essenciais são concentrados, podem irritar a pele e precisam ser utilizados com supervisão rigorosa no público infantil.
Um produto identificado como “kids”, “baby” ou “natural” não deve ser considerado automaticamente seguro para qualquer criança.
GESTAÇÃO E AMAMENTAÇÃO EXIGEM AVALIAÇÃO INDIVIDUAL
Durante a gestação e a amamentação, a mulher deve informar:
período gestacional;
intercorrências ou gestação de risco;
medicamentos utilizados;
doenças existentes;
alergias;
histórico de convulsões;
alterações hepáticas, renais ou cardíacas;
condições da pele;
reações anteriores a aromas.
Produtos naturais e práticas de aromaterapia também precisam ser discutidos com profissionais qualificados durante a gestação, pois nem todos possuem dados suficientes de segurança para todas as fases e formas de utilização.
PROTEJA CRIANÇAS E EVITE ACIDENTES
Os óleos essenciais devem ser:
mantidos na embalagem original e identificada;
armazenados fechados;
guardados longe de calor e luz;
mantidos fora da visão e do alcance de crianças;
separados de alimentos, medicamentos e produtos infantis;
utilizados dentro do prazo de validade;
descartados conforme as orientações do fabricante;
transportados de modo a evitar vazamentos.
A ingestão acidental pode causar intoxicação e alguns óleos provocam efeitos graves mesmo em pequenas quantidades.
NÃO PROVOQUE VÔMITO
Diante de ingestão, contato importante com os olhos, dificuldade para respirar, sonolência, confusão, convulsão ou outra reação relevante:
interrompa imediatamente o uso;
retire a pessoa da área de exposição;
mantenha a embalagem do produto disponível;
procure orientação toxicológica;
dirija-se ao serviço de urgência quando indicado;
acione o SAMU — 192 em situações graves.
O Disque-Intoxicação — 0800 722 6001 oferece orientação gratuita, 24 horas por dia, por meio da rede nacional de centros toxicológicos. Não provoque vômito sem orientação.
PRODUTOS REGULARIZADOS E COMUNICAÇÃO RESPONSÁVEL
Óleos, inaladores, cosméticos e produtos aromáticos devem ser adquiridos de fornecedores confiáveis, com identificação, composição, lote, validade, responsável e instruções de utilização.
Produtos registrados como cosméticos não devem ser divulgados com alegações indevidas de tratamento ou cura de doenças. Em junho de 2026, a Anvisa determinou o recolhimento de inaladores e óleos essenciais que haviam sido registrados como cosméticos, mas apresentavam propriedades terapêuticas em sua rotulagem.
Por isso, o SARE não deve anunciar um produto como capaz de:
tratar rinite, bronquiolite ou asma;
curar ansiedade ou depressão;
melhorar autismo ou TDAH;
substituir medicamentos;
prevenir doenças de forma garantida;
produzir resultados clínicos iguais para todos.
A comunicação deve diferenciar claramente produto de autocuidado, prática complementar e tratamento profissional individualizado.
O QUE A AROMATERAPIA NÃO SUBSTITUI
A aromaterapia não substitui:
diagnóstico profissional;
acompanhamento médico;
psicoterapia;
fisioterapia ou outras terapias necessárias;
medicamentos prescritos;
vacinação;
exames;
atendimento de urgência;
investigação de sintomas persistentes;
tratamento de condições respiratórias, neurológicas ou emocionais graves.
Ela também não deve ser utilizada para mascarar sintomas, retardar encaminhamentos ou interromper tratamentos em andamento.
AROMATERAPIA COM SEGURANÇA, INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE
No SARE, a aromaterapia clínica estará vinculada a:
avaliação individual;
objetivos claramente definidos;
escolha criteriosa dos óleos;
produtos identificados e adequados;
diluição e forma de uso compatíveis;
precauções para crianças e gestantes;
orientação clara à pessoa ou à família;
registro do produto e da forma de utilização;
acompanhamento de possíveis reações;
reavaliação dos resultados;
ausência de promessas de cura;
integração com os demais cuidados necessários.
O aroma pode compor uma experiência de cuidado, mas a segurança depende do conhecimento, da qualidade do produto, da dose, da forma de uso e da avaliação individual.
UM PLANO INTEGRADO, NÃO UMA SOMA DE TÉCNICAS
Como o SARE organiza o cuidado integrativo
No SARE, fotobiomodulação, auriculoterapia neurofisiológica, aromaterapia clínica e outras estratégias não são aplicadas de forma isolada ou automática.
O acompanhamento é organizado a partir das necessidades da pessoa, da avaliação fisioterapêutica, dos objetivos definidos, dos tratamentos já realizados e das condições de segurança.
A jornada assistencial do SARE contempla acolhimento, triagem, avaliação integral, plano compartilhado, intervenção, reavaliação e continuidade ou encaminhamento.
A quantidade de recursos utilizados não determina a qualidade do atendimento. Em algumas situações, orientação e acompanhamento podem ser mais adequados do que a aplicação de uma técnica.
1. ACOLHIMENTO E TRIAGEM
Compreender a procura e reconhecer prioridades
O primeiro contato permite identificar:
motivo da procura;
idade e necessidades principais;
sintomas atuais;
diagnósticos existentes;
tratamentos em andamento;
presença de sinais de urgência;
compatibilidade da demanda com o escopo do SARE;
necessidade de avaliação por outro profissional.
Quando houver sinais de agravamento, emergência ou necessidade de investigação médica, o atendimento integrativo não deve ser iniciado antes do encaminhamento adequado.
2. AVALIAÇÃO INTEGRAL
Conhecer a pessoa antes de escolher o recurso
A avaliação pode considerar:
histórico clínico e funcional;
rotina e atividades cotidianas;
impacto dos sintomas;
movimento, postura e participação;
sono, disposição e autocuidado;
medicamentos e suplementos;
alergias e sensibilidades;
tratamentos anteriores;
expectativas da pessoa ou da família;
contraindicações e precauções.
Quando necessário, exames, relatórios e informações de outros profissionais podem complementar a avaliação.
3. DEFINIÇÃO DOS OBJETIVOS
Escolher o que será acompanhado
Antes de iniciar qualquer recurso, são definidos objetivos claros e relacionados à vida cotidiana.
Os objetivos podem envolver, conforme a necessidade:
conforto durante as atividades;
redução de limitações funcionais;
melhora da mobilidade;
participação no brincar ou na rotina;
apoio ao sono e ao descanso;
organização de práticas de autocuidado;
acompanhamento da dor ou da tensão;
orientação familiar;
prevenção de agravamentos evitáveis.
Objetivos como “curar”, “normalizar” ou “eliminar definitivamente” uma condição não devem ser utilizados como promessa de atendimento.
4. SELEÇÃO DAS ESTRATÉGIAS
Escolher apenas o que possui indicação
Após a avaliação, o plano pode incluir:
educação em saúde;
orientações para o cotidiano;
exercícios ou atividades funcionais;
adaptações ambientais;
fotobiomodulação;
fotobiomodulação transcraniana, quando considerada pertinente;
auriculoterapia neurofisiológica;
aromaterapia clínica;
técnicas de respiração e relaxamento;
articulação com outros profissionais;
encaminhamento.
Um recurso pode ser utilizado isoladamente, associado a outras estratégias ou não ser indicado naquele momento.
INFORMAÇÃO ANTES DA INTERVENÇÃO
Antes da aplicação de um recurso, a pessoa atendida ou seus responsáveis devem receber explicações sobre:
finalidade da conduta;
forma de aplicação;
benefícios possíveis;
limitações das evidências;
riscos, desconfortos e precauções;
alternativas disponíveis;
número inicial de sessões, quando estimável;
critérios de reavaliação;
possibilidade de interromper ou recusar a conduta.
Para crianças e adolescentes, o responsável legal participa das decisões. A criança também deve receber uma explicação compatível com sua idade e ser respeitada em suas manifestações de medo, desconforto ou recusa.
CADA CONDUTA DEVE SER REGISTRADA
O prontuário pode incluir:
avaliação realizada;
objetivos definidos;
recurso escolhido;
justificativa clínica;
equipamento ou produto utilizado;
região de aplicação;
parâmetros e dosimetria;
óleo essencial, diluição e via de uso;
pontos auriculares e materiais utilizados;
orientações fornecidas;
tolerância durante a sessão;
reações observadas;
resposta relatada;
evolução funcional;
decisões de continuidade, ajuste ou suspensão.
O registro permite acompanhar a evolução, aumentar a segurança e evitar que as condutas dependam apenas da memória ou de impressões subjetivas.
ACOMPANHAR É TÃO IMPORTANTE QUANTO APLICAR
Como o SARE avalia a resposta ao cuidado
A reavaliação verifica se o plano continua indicado e se os objetivos estão sendo alcançados.
Podem ser considerados:
evolução dos sintomas;
mudanças na funcionalidade;
participação nas atividades;
qualidade do sono ou do descanso;
tolerância aos recursos;
percepção da pessoa e da família;
instrumentos ou escalas adequados;
ocorrências entre as sessões;
mudanças em outros tratamentos;
efeitos indesejados;
necessidade de encaminhamento.
CONTINUAR
Quando existe indicação e resposta adequada
O recurso pode ser mantido quando:
permanece compatível com os objetivos;
é bem tolerado;
apresenta resposta clinicamente relevante;
não interfere negativamente em outros cuidados;
continua seguro para a pessoa atendida.
A frequência e os parâmetros podem ser ajustados conforme a evolução.
MODIFICAR OU SUSPENDER
Quando o plano precisa ser revisto
A conduta pode ser alterada ou interrompida quando:
não apresenta resposta relevante;
provoca desconforto ou reação adversa;
deixa de ser necessária;
surgem novas condições clínicas;
existe baixa tolerância;
os objetivos foram alcançados;
outro recurso se torna mais adequado;
a pessoa ou a família decide não continuar.
A ausência de resultado não deve levar ao aumento indiscriminado da dose, da concentração ou da quantidade de recursos.
ENCAMINHAR
Quando a necessidade ultrapassa o escopo do SARE
O encaminhamento pode ser indicado diante de:
necessidade de diagnóstico médico;
sintomas persistentes sem causa esclarecida;
agravamento clínico;
sofrimento emocional significativo;
suspeita de alteração neurológica;
necessidade de acompanhamento multiprofissional;
presença de contraindicação;
necessidade de exame ou tratamento especializado;
situação de urgência ou emergência.
O modelo institucional do SARE prevê encaminhamento claro e continuidade articulada com a rede de cuidado.
MELHORA PERCEBIDA PRECISA SER ANALISADA COM CAUTELA
Durante um acompanhamento, podem ocorrer mudanças relacionadas a diferentes fatores:
evolução natural da condição;
outros tratamentos realizados;
mudanças nos medicamentos;
alterações de rotina;
crescimento e desenvolvimento;
expectativa da pessoa ou da família;
efeito do acolhimento e da atenção recebida;
resposta específica ao recurso utilizado.
Por isso, o SARE deve evitar atribuir automaticamente toda mudança positiva a uma única técnica.
Sempre que possível, os resultados devem ser comparados com os objetivos definidos antes do início do acompanhamento.
INTEGRAÇÃO NÃO SIGNIFICA ULTRAPASSAR LIMITES PROFISSIONAIS
Com autorização da pessoa atendida ou dos responsáveis, o SARE poderá compartilhar informações relevantes com profissionais envolvidos no cuidado.
Essa comunicação pode contribuir para:
alinhar objetivos;
evitar orientações contraditórias;
informar recursos utilizados;
registrar reações ou intercorrências;
compreender mudanças clínicas;
organizar encaminhamentos;
preservar a continuidade assistencial.
O SARE não deve alterar medicamentos, emitir diagnósticos fora de seu campo profissional ou substituir condutas definidas por outros profissionais habilitados.
CUIDADO INTEGRATIVO EM SEIS COMPROMISSOS
compreender antes de intervir;
escolher apenas recursos indicados;
explicar possibilidades, limites e riscos;
registrar todas as condutas;
reavaliar os resultados;
encaminhar quando necessário.
O recurso é apenas uma parte do cuidado. A segurança e a qualidade dependem da avaliação, do raciocínio clínico, da comunicação e do acompanhamento ao longo do tempo.
INFORMAÇÃO PARA DECISÕES MAIS SEGURAS
Materiais sobre cuidado integrativo
A Biblioteca SARE reunirá conteúdos educativos para ajudar pessoas e famílias a compreender os recursos complementares, organizar dúvidas e participar das decisões sobre o próprio cuidado.
GUIA • EM PREPARAÇÃO
Como avaliar uma proposta de cuidado integrativo
Material sobre avaliação profissional, objetivos, benefícios possíveis, limites, riscos, consentimento e critérios de reavaliação.
CHECKLIST • EM PREPARAÇÃO
Perguntas antes de iniciar um recurso complementar
Checklist para verificar indicação, formação profissional, segurança, produtos ou equipamentos utilizados, número de sessões e acompanhamento dos resultados.
GUIA • EM PREPARAÇÃO
Como acompanhar a resposta ao tratamento
Orientações para registrar sintomas, funcionalidade, tolerância, possíveis reações e mudanças percebidas durante o acompanhamento.
OUTROS CAMINHOS DO PORTAL
Conheça conteúdos relacionados ao cuidado integrativo
SAÚDE E AUTOCUIDADO
SARE Mulher
Conteúdos sobre funcionalidade, autocuidado, sobrecarga, sono e utilização responsável de recursos integrativos.
NEURODESENVOLVIMENTO
SARE Neuro
Informações sobre desenvolvimento neurológico, funcionalidade, participação e acompanhamento integrado.
MATERIAIS EDUCATIVOS
Biblioteca SARE
Guias e checklists para famílias, mulheres, educadores e pessoas interessadas em saúde integrativa.
TEM DÚVIDAS SOBRE OS RECURSOS INTEGRATIVOS?
Converse com o SARE antes de iniciar um acompanhamento
Entre em contato para receber informações gerais sobre avaliação fisioterapêutica, fotobiomodulação, auriculoterapia neurofisiológica, aromaterapia clínica e possibilidades de acompanhamento individualizado.
Este conteúdo possui finalidade educativa e não substitui avaliação, diagnóstico, prescrição ou acompanhamento individualizado. Nenhum recurso complementar deve adiar atendimento médico, exames ou tratamentos necessários. Em situações de urgência ou piora importante do estado geral, procure imediatamente um serviço de saúde.
Conteúdo elaborado com base em fontes institucionais e científicas. Consulte as Fontes e Referências do Portal.